Dúvidas: investimentos

Tenho interesse em investir em bolsa de valores, tenho lido bastante o assunto e visto varias formas de avaliação. Quais empresas voces recomendam?

Para ter sucesso no mercado em ações, o segredo é comprar empresas sólidas a preços justos. Ao estudar análise fundamentalista, você descobrirá formas de identificar esse tipo de empresa apenas olhando os demonstrativos financeiros passados da companhia, bem como outras informações disponíveis publicamente na página da BM&FBovespa (www.bmfbovespa.com.br/cias-listadas/empresas-listadas/BuscaEmpresaListada.aspx).

Quanto a recomendações específicas, sugerimos que procure um consultor de valores mobiliários credenciado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), pois somente esse profissional possui autorização para recomendar produtos diretamente. Para pesquisar os profissionais que detêm essa certificação basta entrar no site da CVM e clicar no item “Participantes de Mercado”, no menu à esquerda da página.

Por que Titulos do Tesouro podem fornecer rentabilidade negativa?

Isso acontece por causa das flutuações no preço de mercado dos títulos. O governo calcula o valor nominal de um título a partir do quanto ele deverá pagar no vencimento. Digamos que em 1/1/2014 você comprou um título com vencimento em 31/12/2023 por R$ 1.000,00 e o governo prometeu pagar 11% de juros anuais no vencimento. Quanto vale o título em 31/12/2023? R$ 1.110,00. Mas digamos que durante o ano o governo aumente a taxa de juros dos títulos à venda para 15%. Isso significa dizer que ele vai oferecer o mesmo título com juros mais altos, mas pagará em 31/12/2023 os mesmos R$ 1.110,00 para quem já havia contratado 11%. Consequentemente, o valor de mercado desse título que paga 11% sofrerá deságio. Quem investiu pretendendo carregar o título até o vencimento vai recebê-lo como combinado. Para esse investidor, essa volatilidade não significa nada; somente quem investiu pretendendo vender o título no curto prazo e ganhar dinheiro com a flutuação dos juros pode realmente obter rendimentos negativos.

Como funciona o Tesouro Direto e como investir?

O Governo Federal tem basicamente duas formas de arrecadar dinheiro: impostos e dívidas. Uma das formas que ele tem de contrair dívidas consiste em emitir títulos do Tesouro Nacional. Ao comprar um título, você se torna efetivamente credor do governo, tendo o direito de receber juros pelo empréstimo.

O Tesouro Direto é o canal para pessoas físicas investirem diretamente em Títulos do Tesouro Nacional. Para comprar títulos, você precisa se cadastrar junto a um agente de custódia, uma lista dos quais pode ser obtida aqui: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/consulta_titulos/consulta_ranking.asp. Procure uma instituição em que confie e que, de preferência, não cobre taxa de administração. A página oficial do Tesouro Direto (http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/) é ótima, contendo bons materiais explicativos sobre todo o procedimento de cadastro, identificação, compra e venda dos títulos; vale a pena dedicar um tempo à exploração de seu conteúdo.

Qual o melhor investimento?

Escolher o melhor lugar para aplicarmos uma determinada soma de dinheiro depende não somente do horizonte de investimento e da quantidade a ser aplicada, do seu perfil como investidor e do objetivo da aplicação. Mesmo um investidor agressivo deve colocar suas aplicações de curto prazo em ativos menos arriscados, ao passo que até o mais conservador dos investidores pode se beneficiar de uma rentabilidade maior sem correr maiores riscos ao alocar parte de sua carteira em ativos de renda variável.

Antes de possuir investimentos, porém, é necessário que se tenha uma reserva para emergências, suficiente para cobrir cerca de seis meses de despesas fixas. Essa reserva é importante para que, no caso de um evento que lhe cause redução temporária de renda ou aumento extraordinário de despesas, você não tenha de liquidar investimentos de longo prazo para cobrir urgências de curto prazo.

Além da tradicional poupança, os bancos oferecem também aplicações em CDBs, LCIs e LCAs, que graças à cobertura do FGC possuem o mesmo risco da poupança e podem ser mais rentáveis que ela, desde que se deixe o montante aplicado por pelo menos seis meses (idealmente, a partir de dois anos) e que se busque uma rentabilidade maior ou igual a 90% do CDI.

Outra aplicação de renda fixa que está se popularizando são os títulos do Tesouro Nacional, que podem ser adquiridos por pessoas físicas via Tesouro Direto (https://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto). Assim como os CDBs, há títulos pré-fixados, ideais para períodos de queda na taxa de juros, títulos pós-fixados, mais seguros e indicados para períodos de alta na taxa Selic, e títulos indexados a índices de inflação, ideais para quem quer manter o poder de compra de seu dinheiro e ainda ganhar um pouco de juros pelo empréstimo dele ao Governo Federal.

Para quem gosta de investir no mercado imobiliário, uma opção interessante podem ser os Fundos Imobiliários (http://www.bmfbovespa.com.br/renda-variavel/ResumoFundosImobiliarios.aspx), que permitem que se invista uma quantia bem menor do que a costumeiramente alocada nesse mercado e se tenha participação no lucro pelo aluguel e venda de imóveis de diversos tipos como centros comerciais, galpões e hospitais.

Os bancos também costumam oferecer fundos de investimento, ideais para quem não quer se dar o trabalho de escolher a dedo suas aplicações. Para que os fundos de renda fixa rendam mais que a poupança, é importante que a taxa de administração cobrada seja pequena, de no máximo 1% ao ano.

Na renda variável, o mercado de ações está se tornando cada vez mais uma opção acessível. A bolsa de valores BM&FBovespa possui uma página dedicada a investidores pessoa física (http://www.bmfbovespa.com.br/pt-br/navegue-por-perfil/pessoas-fisicas.aspx) que estão apenas começando a conhecer esse tipo de investimento que costuma ser muito rentável no longo prazo.

Há também fundos de renda variável disponíveis em bancos e corretoras. Assim como ocorre nos fundos de renda fixa, os fundos de renda variável contam com uma gestão profissional, que escolherá os ativos por você, reinvestirá os lucros porventura obtidos e pagará todos os impostos devidos. Procure-se informar também sobre os fundos de índices (http://www.bmfbovespa.com.br/etf/), uma alternativa bastante econômica aos fundos tradicionais.

Caso resolva investir por meio de fundos, lembre-se sempre de ler o prospecto do fundo para compreender melhor seus objetivos, estratégias, regras e riscos.

Recomendamos, finalmente, que avalie as opções apresentadas bem como as suas características pessoais, como a presença de uma reserva de emergência, seu horizonte de investimento, seu perfil de risco e o objetivo com a aplicação. Se desejar, procure pessoalmente a orientação de um planejador financeiro, que poderá lhe orientar não só em relação a investimentos, mas também em questões como previdência, seguros, tributos e sucessão.

Recebi uma boa indenização. Qual a aplicação aconselhada para a obtenção de uma renda mensal que não sacrifique o montante original?

Se a intenção é preservar o capital adquirido em vez de multiplicá-lo, você deve olhar classes de investimento mais conservadoras, especialmente aquelas que oferecem proteção contra a inflação. O Tesouro Direto oferece um título com essas características, a Nota do Tesouro Nacional tipo B (NTN-B). Esses títulos corrigem o capital investido pelo IPCA, garantindo a manutenção do poder de compra do dinheiro investido, e ainda complementam essa correção monetária com uma taxa de juros, que nos títulos atualmente vendidos está em torno de 6% a.a.. São, em outras palavras, títulos que atualmente oferecem uma rentabilidade real (i.e., acima da inflação) de cerca de 6% ao ano, um desempenho muito bom principalmente numa época em que a poupança e os CDBs estão tendo dificuldade em bater a inflação. Informações sobre as rentabilidades dos títulos do TD podem ser encontradas em http://www3.tesouro.gov.br/tesouro_direto/rentabilidade_novosite.asp.

Uma diferença importante de se notar é entre as NTN-Bs comuns e as NTN-Bs principais. As NTN-Bs principais remuneram o investidor somente uma vez, na data do vencimento do título, quando é devolvido o principal e pagos todos os juros e correções devidos. São, portanto, ideais para quem não pretende usar o dinheiro antes do vencimento (por exemplo, alguém que esteja fazendo poupança para uma compra no futuro). Para quem deseja aproveitar os frutos do investimento antes do vencimento (que deve ser o seu caso, pois busca uma “renda mensal”), o ideal seriam as NTN-Bs comuns, pois pagam juros uma vez por semestre até o vencimento, quando é devolvido o principal junto com a última parcela de juros.

Dito isso, se se tratar de um montante significativo, é prudente não concentrar todo o dinheiro em uma só classe de ativos. Outras opções que, embora não prometam proteção contra a inflação, podem ser interessantes na renda fixa são:
– Fundos imobiliários (FIIs): apesar de não oferecerem garantia de retorno, têm sido capazes de entregar retornos melhores do que o investimento direto em imóveis, com a vantagem de costumarem ser isentos de IR para Pessoas Físicas. Vale a pena estudar mais sobre o assunto em http://www.bmfbovespa.com.br/renda-variavel/ResumoFundosImobiliarios.aspx. Ao investir em FIIs além das NTN-Bs, vocês estarão com uma parcela no mercado imobiliário e outra no mercado financeiro, o que oferece maior proteção à sua carteira contra um revés em um dos mercados.
– Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que costumam oferecer rentabilidade líquida acima dos CDBs por serem isentas de imposto de renda para PFs.

Quanto posso aplicar do meu salario por ano para que eu pague menos IR e ao mesmo tempo incremente meu plano de aposentadoria privada?

Ao aplicar 12% de sua renda bruta em planos de previdência do tipo PGBL ou em Fundos de Pensão, você poderá listar esses aportes em sua declaração de imposto de renda a fim de descontá-los do IR a complementar (ou para aumentar a sua restituição, se for o caso).

Caso deseje investir mais de 12% de sua renda em previdência privada, recomenda-se aplicar o excedente em VGBLs. Esses planos não permitem a dedução dos aportes no IR do ano seguinte, mas essa desvantagem não o afetaria, pois você já estaria deduzindo o máximo de 12% no PGBL. A vantagem do VGBL sobre um PGBL ou um fundo de pensão apareceria na hora de receber o benefício: enquanto o IR nestes casos incide sobre o total recebido, no VGBL o imposto será cobrado apenas sobre a parcela referente aos rendimentos de suas aplicações.

Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para incentivá-lo a procurar outras alternativas de poupar para o futuro além dos planos de previdência. Se tiver disciplina para poupar e gostar de aprender sobre investimentos, montar uma carteira com ativos escolhidos a dedo pode ser bastante rentável e econômico. Na renda fixa, procure se informar sobre LCIs e títulos públicos; na renda variável, fundos de índice (ETFs) e fundos imobiliários (FIIs), além das tradicionais ações, estão caindo no gosto dos brasileiros, e com razão: à medida que nossa economia vai amadurecendo, classes de ativos mais sofisticados tendem a apresentar melhor perfil de risco e retorno.

Fiz alguns investimentos em ações, mas estou tendo prejuízo. Devo resgatar para pagar um emprestimo que fiz achando que ia ganhar dinheiro?

A situação que você descreve serve como um ótimo exemplo da importância de se separar o dinheiro dos diferentes objetivos que temos na vida. Experimente classificar cada uma de suas metas para o futuro como sendo para segurança, conforto ou independência financeira. Essa classificação é importante porque cada tipo de objetivo se encaixa em uma classe de ativo diferente. Por exemplo, o dinheiro para objetivos de segurança, como a constituição de uma reserva para emergências ou a compra de um bem vultoso (imóvel, veículo), deve estar aplicado em investimentos de menor risco no curto e médio prazo, como poupança, CDBs, LCIs, LCAs e Títulos do Tesouro Nacional. Por outro lado, o dinheiro para objetivos que poderão demorar décadas para serem alcançados (como a conquista da independência financeira) estará melhor aplicado em ativos com um histórico de melhor desempenho no longo prazo, como as ações.

Não sabemos qual seu objetivo inicial ao ter feito a aplicação em renda variável, mas entendemos que se está considerando desfazer-se do investimento para pagar dívidas, sua reserva de emergência foi esgotada. Infelizmente não é possível saber de antemão se é melhor vender as ações ou não. Somente daqui a alguns anos será possível comparar a rentabilidade de seu investimento com a taxa de juros do empréstimo (se os juros forem maiores, terá sido melhor vender as ações).

Antes de tomar uma decisão, leve em consideração não somente as implicações financeiras, mas também o lado emocional de cada alternativa. Caso as ações tenham sido compradas a título de reserva de segurança e não houver mais aplicações de curto prazo para resgatar, admitir o equívoco na alocação de ativos e sacar o dinheiro para quitar os compromissos significará perder uma eventual recuperação dos preços, mas também livrará você do peso emocional da dívida. Por outro lado, vender as ações justo em um momento de baixa do mercado vai de encontro à regra número um de um investimento sensato: comprar na baixa e vender na alta. Experimente refletir sobre como se sentiria se as ações começassem a se recuperar logo depois de tê-las vendido.

Finalmente, lembramos mais uma vez que o investimento em ações deve sempre ser feito com vista no longo prazo. Veja a compra de ações como uma aposta na crença de que os mercados sempre evoluem no longo prazo, apesar dos ciclos de curto prazo darem outra aparência.

Aplico somente em poupança porque não gosto de correr riscos. Há uma aplicação mais segura que a poupança?

Teoricamente, não existe aplicação sem risco. A poupança, por exemplo, está protegida até o limite de R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, graças ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma espécie de reserva de emergência dos bancos. Isso significa que caso você tenha mais que esse valor depositado em uma determinada instituição financeira (vale o somatório do saldo em conta-corrente, da poupança e de títulos de emissão bancária como LCIs e LCAs), você receberá apenas R$ 250 mil. Você pode ler mais sobre as regras do FGC na página http://www.fgc.org.br/?conteudo=1&ci_menu=48.

O Fundo Garantidor de Crédito existe para proteger os clientes do sistema bancário, especialmente aqueles com conta em bancos pequenos, menos seguros que os grandes bancos. Entretanto, caso haja uma quebra sistemática dos bancos, existe a possibilidade do FGC também ficar sem dinheiro suficiente para pagar a todas as pessoas. É uma possibilidade remota, mas existente.

O lado positivo do FGC é que ele nivela vários tipos de aplicação em termos de risco. Na prática, todos os ativos cobertos pelo fundo têm o mesmo risco, de forma que encontrar a aplicação mais rentável é uma simples questão de comparar custos e rentabilidades. Em particular, aconselhamos você a estudar a possibilidade de aplicar em LCIs e LCAs, que também são protegidas pelo FGC e isentas de Imposto de Renda, mas normalmente rendem mais que a poupança. Por outro lado, essas Letras de Crédito costumam ser mais interessantes para investidores de médio e longo prazo, visto que costumam ter vencimentos de pelo menos 60 dias.

Finalmente, gostaríamos de lembrá-lo de outro tipo de investimento de baixíssimo risco: os títulos do Tesouro Nacional. Acessíveis às Pessoas Físicas através do Tesouro Direto (http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/), esses títulos não são protegidos pelo FGC, mas contam com uma contraparte mais sólida que qualquer instituição financeira no país: o Tesouro Nacional. Ao comparar a rentabilidade desses títulos com as LCs e a poupança, lembre-se que os títulos do Tesouro não são isentos de IR, de forma que seus rendimentos serão tributados em 15% a 22,5% (dependendo do período de aplicação) mais taxas de negociação (0,3% a.a. mais alguma eventual taxa cobrada pelo banco/corretora).

Tenho duas dúvidas sobre o investimento em LCI: por quanto tempo meu dinheiro ficará parado (período de carência)? Qual a rentabilidade líquida mensal da aplicação?

A LCI é um produto com características pouco padronizadas: há Letras com diversas carências (de 30 a 720 dias) e rentabilidades (pré-fixados ou pós-fixados, que costumam variar entre 70% e 120% do CDI). Se o total de seus depósitos (saldo em conta + poupança + CDB + LCI + LCA, etc.) em uma instituição bancária ultrapassar R$ 250 mil, o risco de quebra da instituição bancária depositária também deve ser levado em consideração. Para responder às suas perguntas, recomendamos procurar o gerente de sua conta. Adiantamos, a propósito, que como os rendimentos das LCIs são isentas de IOF e IR para pessoas físicas, a rentabilidade líquida será a mesma da bruta. Além disso, recomendamos procurar, além dos grandes bancos, bancos de menor porte, pois eles costumam oferecer LCIs bem mais rentáveis com pouco risco adicional.

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